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Hoje, pode-se dizer que os moradores da Barra vivem no século XXI. A ocupação da região da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá começou em 1594, com a concessão de duas sesmarias pelo então governador do Rio de Janeiro, Salvador Corrêa de Sá, a seus dois filhos, Martim de Sá e Gonçalo Corrêa de Sá. As terras de Gonçalo foram legadas em testamento por sua filha, Victória Corrêa de Sá, ao Mosteiro de São Bento. Os monges beneditinos tomaram posse da área em 1667 e fundaram várias fazendas, onde se dedicaram por mais de 200 anos à cultura de cana de açúcar, mandioca e à criação de gado. Em 1891, as terras foram vendidas à Companhia Engenho Central de Jacarepaguá, que as revendeu ao Banco de Crédito Móvel. Este passou-as à prefeitura do Distrito Federal, que por sua vez arrendou-as à firma Honestingel e Cia., em troca da construção de escolas, hotéis e uma vila de pescadores. A sesmaria de Martim de Sá ficou em poder de seus descendentes até 1694, quando foi vendida à família Serpa Pinto, que fundou ali a Fazenda da Restinga. Em 1920, esta passa ao controle de uma companhia ferroviária inglesa, que a divide em oito glebas e as negocia com empresários paulistas. Um dos primeiros núcleos de ocupação do bairro foi a área conhecida atualmente como Barrinha, ou Largo da Barra. Os lavradores e pescadores chegaram à região no fim do século passado, desbravando as matas entre a Lagoa da Barra e as encostas da Pedra da Gávea. A era rural durou até as primeiras décadas deste século. Em 1938, o industrial Euvaldo Lodi fez o primeiro loteamento da Barra. Foi ele Também o responsável pela fundação do loteamento Jardim Oceânico. É desta época que data o talvez mais completo registro histórico da vida na Barra – "O sertão carioca", uma série de artigos e gravuras do historiador, desenhista e professor Armando de Magalhães Corrêa, publicados no jornal Correio da Manhã. A obra retrata com riqueza de detalhes a fauna e a flora locais e os costumes dos nativos, que ainda guardavam fortes heranças culturais dos índios tamoyos. Foi Magalhães Corrêa o primeiro a propor uma reserva biológica em Marapendi, só transformada em Área de Proteção Ambiental pela prefeitura do Rio em 1991. No fim dos anos 60, com a abertura do túnel Dois Irmãos e do elevado do Joá, ligando a Zona Sul à Barra pela costa, foi o pontão de partida para o projeto de urbanização idealizado pelo arquiteto Lúcio Costa. Os primeiros grandes condomínios começaram a ser construídos em meados dos anos 70. Daí para a proliferação de casas, prédios residenciais e comerciais, shopping centers e hipermercados, nos anos 60, foi um pulo. |